domingo, 3 de janeiro de 2016

Um ensaio argumentativo acerca do sentido da vida

Desenho do Mateus

O meu aluno Mateus Roque Mendes, de um curso EFA (ensino noturno para maiores de dezoito anos), escreveu um texto sobre o problema filosófico do sentido da vida que vale a pena ler.

Além disso, ilustrou (e muito bem) as suas ideias com o desenho que acompanha este post.

Qual é o sentido da vida?

Provavelmente esta é uma das perguntas com mais profundidade de que me posso lembrar, é um tema que pode ser tão sombrio quanto iluminador, pois trata da finalidade de cada homem no planeta e de como faz a sua passagem nesta vida.

A quantidade exuberante de respostas aflige qualquer um que pense neste assunto e pode confundir ou até levar à desistência.

A minha argumentação não tem como objetivo provar a veracidade de uma só teoria mas sim mostrar um ponto de vista: o meu ponto de vista.

Começo por contar uma história de um catecismo holandês, que fala sobre uns frades que evangelizavam a população e falavam sobre Jesus de Nazaré.

Então, o rei dessa terra quis saber quem eram esses homens, e sobre o que falavam, pois sentia curiosidade.

Assim que se reuniu com os frades perguntou-lhes qual era o sentido da vida. De súbito, entra um pequeno pássaro pela janela fugindo da tempestade e começa a esvoaçar pela sala dando cinco voltas ao rei e perdendo-se novamente na tempestade.

E aí o frade responde ao rei: - “Majestade o homem é o pássaro e a sala aquecida a tempestade. Viemos da tempestade, da obscuridade sem saber de onde viemos nem para onde vamos. Não sabemos nem de onde viemos nem para onde vamos.”

E assim começa o catecismo holandês e começo eu a defesa dos meus argumentos, tentando explicar que o cristianismo é uma resposta ao propósito do homem no mundo.

O cristianismo não é uma religião, no sentido das religiões comuns, também não é uma filosofia, não é uma doutrina em que se explique de forma racional o grande porquê da vida.

O homem vive aterrado pela realidade, tenta ser, tenta viver o real, o verdadeiro, o que não perece, o que não muda, o autêntico. Por isso, é que na Bíblia o mar simboliza a morte, porque é móvel e sinuoso, o contrário do que o homem quer. O tempo leva a morte e é isso que o homem não consegue suportar.

Mas porque vive o ser humano nesta escravidão de uma busca inalcançável de sentido e felicidade?

Porque é que o homem não se satisfaz com o tipo de felicidade estipulada pela sociedade: o trabalho, festas, carro, mulher e filhos?

Os avanços da ciência não respondem a esta pergunta. Quanto mais o homem sabe mais perplexo fica e pergunta-se: Quem sou eu? Há sempre um momento em que precisa de se interrogar, e pensar, se desaparece na morte, a sua vida não terá sentido, tudo será um absurdo. Consequência disto é que se vive uma vida de conveniência numa sociedade de consumo de valores quase nulos ou supérfluos.

Afinal qual é a verdade? A verdade é que morres! O homem está escravizado porque não quer morrer, porque teme o fim da sua existência.

Por isso, a resposta do Cristianismo é uma boa notícia: Um Homem rompe o cerco da morte, vence-a e deixa um sinal visível ao mundo, que é a garantia da ressurreição, o amor na dimensão da cruz, a salvação para o homem acontece quando as barreiras do seu coração são destruídas.

Esta perspetiva permite viver em plenitude, sabendo que o que vive aqui já é eternidade.

No entanto, o ser humano tem este problema: procurar viver sob o princípio de prazer e esse tem de ser imediato. O tempo é escasso, não conseguimos esperar pela chegada da eternidade, a toda a hora surgem problemas e dificuldades, mas também sonhos e aspirações que queremos alcançar a todo o custo, pois a resposta para a derradeira pergunta aparenta estar sempre no final de cada nova concretização.

Posto isto, a vida avança, mas em cada um de nós continua a existir este vazio, a desesperança de que a nossa vida acaba e não atingimos o sentido nem a felicidade.

Ainda para mais a humanidade vive em constante angústia desacreditada da veracidade desta premissa que lhe é apresentada pelo cristianismo. Pois como se pode pedir a um homem que salte num abismo do qual não conhece o fundo?

Acreditamos naquilo que vemos, confiamos naquilo que é palpável.

A partir deste testemunho dos cristãos, existiram milhões de pessoas que escutaram esta notícia e mudaram as suas vidas encarando-as escatologicamente. Deixaram de viver a mesquinhez dos seus problemas quotidianos para elevarem a razão do seu viver a um nível que vai para além da própria vida, tornando-se mártires, missionários itinerantes por todo o mundo, porque entregando a sua vida dão sentido à vida dos outros – e à sua.

Mateus Roque Mendes

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